quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Feliz ano novo crossdresser

Por Sttefanne Camp*

*Sttefanne Camp Saint Vincent é casada, residente em Valinhos-SP e trabalha em Campinas.

Ano Novo... e para nós, crossdresser?

“Ano Novo, Vida Nova”, assim já diz o dito popular, e realmente há uma verdade, que podemos observar logo nos primeiros dias do ano, o qual é conhecido como “Confraternização Universal”. Desta forma, para muitos, é uma forma de começar o novo ano “com o pé direito”, outros, seguir as “Resoluções de Ano Novo” e, algumas pessoas, rever o que pra elas, constituem algo de valor imensurável, as amizades.

E para nós, crossdresser? O que seria começar com o pé direito? Quais seriam nossas resoluções de ano novo? Será que tudo isso não teria sentido se nossas amizades estivessem num primeiro plano? Até porque, na maioria das vezes, devido às nossas condições, só podemos contar com nossas amizades cd’s, sendo elas virtuais, ou quando as conhecemos pessoalmente. Esse dia pode ser o momento de pensar nessas amigas, que conhecem nosso crossdressing, ainda mais que muitas de nós nem podemos contar com nossas s/o’s, esposas, parente ou amigos (amigos mesmo).

Não seria este o tempo oportuno de pensar nessas amizades? De aumenta-las? De valorizá-las? Ou quem sabe, sair de nossos “aquários invisíveis” aos poucos, observando que podemos buscar ajuda e também ajudar? Está certo que ainda não é chegado o tempo para muitas crossdresser “sair do armário”, mas, no momento em que descobrem amizades que passam ou passaram por situações similares a sua, começam a sentir as brisas de sua própria liberdade. E a partir deste momento, começam a brotar em seus pensamentos, observações como “... Porque vários amigos podem se reunir para assistir a uma partida de futebol?...”, ou “...amigas podem ir a uma loja, e depois a um restaurante bater papo?...”, e mesmo “...várias pessoas se reúnem para um churrasco, ou um jantar...”, e completam estas frases com “...mas nós, crossdresser, porque não podemos nos juntar pra conversar sobre nosso crossdressing?...Se grupos se reúnem pra falar sobre futebol, política e trabalho, porque nós não podemos nos reunir e falar sobre salto alto, combinações de meias finas, maquiagem, ou mesmo sobre o nosso dia-a-dia (trabalho, família, alegrias, angústias, dúvidas e descobertas), enfim, tudo aquilo que também é de nosso interesse?”.

Se pensarmos bem, talvez seja este tempo também, de quando dizermos “Ano Novo, Vida Nova”, pensar em novas perspectivas para nossas meninas que existem em cada uma de nós (e meninos, para as crossdresser masculinas), e quem sabe, nossas amizades, que comentamos anteriormente, possam nos mostrar uma nova visão de nosso crossdressing? Finalizo esta mensagem, comentando a foto que se segue, da primeira crossdresser que conheci, isso antes mesmo de possuir MSN ou Facebook, a Natalia Yagami, que me cedeu uma imagem que ilustra e resume este texto, ao mesmo tempo, desejando um Feliz 2.019! Beijos... 

(O texto é antigo,mas ainda assim valido).

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

As possuidas

As Possuídas
 
Que me perdoem os espíritas (cada um tem a sua fé), mas quanto mais eu converso com outras crossdressers, mais eu me assusto. Hoje, uma veio falar no meu MSN que estava buscando tratamento espiritual, já que ela era na realidade possuída quando se montava; possuída por duas pombas giras que a obrigavam a se vestir e se comportar como mulher. Podemos até estar falando de possessão, mas não umapossessão sobrenatural.
É muito simples culpar aos espíritos, por assim dizer, dos atos que tomamos quando estamos garotas. “Não, eu não sou gay, eu não gosto de homem, são os espíritos que me forçam a ficar com homens”, nada mais conveniente, nada mais falso. Não são os espíritos que fazem você ter desejo por homens.
Você tem o desejo por homens, mas como não consegue administrar muito bem isto na sua cabeça, acaba por criar um personagem, alguém que possa fazer isto, sem te causar tanta culpa.
Ou então, você é uma das crossdressers héteros, que não curtem homens, mas em algum ponto na sua infância ou adolescência teve uma maior identificação com uma figura feminina do que com uma masculina. Mas você não pode demonstrar isto, teme ser confundindo com gay, não ser compreendido. Daí vem ela, o seu lado garota, para permitir que você use todo ou qualquer símbolo do universo feminino, para finalmente poder se identificar com aquilo que estava lá na sua infância, e então se sente mais completa, mais compreendida.
Posso citar milhares de exemplos de motivos para você ser uma cd. Cada uma possui o seu, mas gosto sempre de lembrar que nossas meninas não vieram para nos julgar, nos amaldiçoar ou nos colocar em situações de risco. Elas vieram nos libertar, comunicar, enfim, são uma fonte enorme deautoconhecimento. Não somos possuídas, estamos apenas nos conhecendo.



Crossdresser e lésbica
As coisas nunca são tão preto no branco como alguns podem supor. Há crossdresser que passam por uma verdadeira transformação, colocam cílios, unhas, roupas completas, peruca e fazem tudo isto para acabar na cama com outra mulher. Estou falando das nossas amigas crossdresser e lésbicas. Como disse, as coisas não são tão preto no branco, e existe sim homens que gostam de se travestir de mulher para mulheres.
Marco namora com a Simone. Eles formam um casal bem gracinha e que beira a perfeição. O que poucos sabem é que Marco na cama gosta de ser chamado de Valéria. Para completar a fantasia, ele coloca uma peruca, calcinha e se travesti de mulher. Simone senti grande atração pela sua Valéria. "Eu não me sinto lésbica, porque não saberia como lidar com uma vagina, mas tenho atração em transar com a minha namorada", afirma Simone. 
Valéria e Simone não são um caso único, elas me enviaram um e-mail e contaram a sua história, mas se você quer mais casos basta ir até uma sala de bate-papo que tenha crossdressers. No bate-papo do UOL há travestis e mulheres que investem em cima das crossdressers. Eu mesma já fui alvo de algumas cantadas (nenhuma aceita, porque só sou homossexual quando estou de Diego).
Além das mulheres há crossdressers que possuem um erotismo enorme em estar vestida de mulher, mas não possui a menor atração por homens. Anormal? Claro que não, é só diferente.



O difícil convívio: aprendendo a ter duas pessoas dentro do mesmo corpo
Não é fácil imaginar que duas pessoas habitam o mesmo corpo. As crossdresser vivem esta realidade. Boa parte das cds (abreviatura para crossdresser) durante o dia são rapazes que vão trabalhar, fazem academia, enfim, tem uma vida normal. Muitos deles até posam de machões e são heterrosexuais. Quando estão na sua intimidade, podem gostar de colocar um simples item feminino (como uma calcinha, uma meia calça) e chegando até a transformação completa e assumindo uma outra identidade.
É aí que mora o perigo. Enquanto conseguimos separar bem, uma identidade da outra, não temos dificuldade em viver de bem com o nosso corpo e mente. Quando as duas começam a se confundir, isto pode significar que algo está errado.
Vale lembrar que não há obrigatoriamente dupla personalida. O João e a Maria que habitam o mesmo corpo podem ter os mesmos princípios, os mesmo ideais, mas possuem identidades diferentes: um é João, a outra é Maria. Vale lembrar também que para ser uma crossdresser a pessoa tem que estar harmonizada com o seu corpo. Uma crossdresser que no seu íntimo tem vontade de colocar silicone, tomar hormônios, é uma travesti. Pode não ser uma travesti no seu corpo, no seu lado externo, mas o seu psique solicita uma identificação com um corpo feminino. As crossdresser também são diferentes da drag. Enquanto as drags fazem uma posição caricata e extrema da feminilidade, as crossdresser buscam ao máximo a proximidade com as mulheres reais.
Concluindo, as cds não são travestis que não deram certo, nem drags mal montadas. São rapazes que na sua intimidade ou mesmo nas ruas, gostam de se vestir e se comportarem como mulheres.

Por Camila Stein
Redação FERVO.com.br
editor@fervo.com.br

Conselhos para iniciantes

Ser crossdresser é perverter a natureza e a ordem natural das coisas? Creio que não. Muito embora fuja ao que se considera como "normal", o crossdressing nada mais é do que a expressão do eu-feminino que existe de maneira intensa em alguns indivíduos, especialmente dos que não temem a situação em si e não se omitem diante dos prazeres mais corrosivos, especialmente de reputações, daí o porque de ser este um fetiche secreto para a grande maioria.

Ir contra a ordem natural das coisas seria, neste caso, não atender a esse chamado e se esconder no armário. Entretanto, os fatores complicadores existem para todos, inclusive para as crossdressers. Especialmente as que estão se descobrindo como tal. Quando se é jovem as dificuldades se avizinham como montanhas intransponíveis em função da inexperiência inerente è juventude, mas com o tempo e a vivência transformam-se em castelos de areia que com as ondas do mar desaparecem.

Portanto, garotos, nada temam. Viver traz em si seus riscos, mas o deixar de viver traz consigo a frustração para toda uma vida. Riscos, por sua vez, são passageiros na maioria das vezes, assim como as consequências de se aceitar como se realmente é. Entreguem-se aos prazeres e vivam a dor e a delícia de ser aquilo que são, parafraseando Caetano.

E que aos olhos do mundo e da natureza continue sendo pervertida pelo fetiche secreto que é viver en femme. Seja entre 4 paredes, nas ruas durante a noite, ou ainda em plena luz do dia, o mais importante é não deixar de viver o que se quer viver, sem medo de ser feliz ou de sofrer. Ter medo é o maior obstáculo para toda e qualquer transformação, pois transformar significa, em última análise, mergulhar no desconhecido para enfim descobrir o que existe além do véu da incerteza.

Assim sendo, desejo a todas vocês, jovens crossdressers que buscam se descobrir enquanto garotas, uma caminhada por uma estrada suave e doce como um sonho bom.

E em cor de rosa.
Acessórios da mais alta qualidade para sua transformação em CDzinha. Tenha seu sonho feito realidade e vire mulher. Perucas, vestidos saias maquiagens incríveis; saltos e sapatos para uma montagem perfeita sentindo-se como uma diva desejada e aclamada. Libere seus instintos secretos seja uma mulher de verdade. Tenho experiência de dez 10 anos em transformação.

(41)995031065
  • ANOS: 29
  •  
  • CEP: 81850050

sábado, 28 de julho de 2018




...Uma Nova Amiga
trailer oficial

Filme - Minha Vida em cor-de-rosa

O cinema independente e até o cinemão comercial já descobriram um filão que rende boas histórias e algumas sequências memoráveis. A sexualidade humana nunca esteve tão dependurada nas telas. Seja lá qual for a opção, a diferença, a intolerância, a liberdade e as escolhas são questões que ajudam a construir bons roteiros e a discutir preconceitos.

Dica de filme: Minha Vida em Cor-de-Rosa
Minha Vida em Cor-de-Rosa (Ma Vie en Rose), de Alain Berliner, conta as desventuras do garoto Ludovic (o ótimo Georges du Fresne). Ele cresce imaginando que nasceu no corpo errado: na verdade, acredita ser uma menina. Logo na primeira sequência, aparece em uma festinha promovida pelos pais para atrair a nova vizinhança em um lindo vestidinho. A impressão e o mal-estar não saem das cabecinhas dos vizinhos, que começam a pressionar e ridicularizar o garoto.

A rejeição se estende aos pais, aos colegas e a qualquer um que se aproxime de um sintoma de homossexualidade tão latente. Ludovic refugia-se do tormento em um mundo róseo, onde só cabem a boneca Pam, uma Barbie espevitada, e o apoio afetivo da avó (Helene Vincent).

O filme fez sucesso nos festivais gays e em mostras de cinema. Trata-se enfim de uma filme honesto, de narrativa mais lenta e cheio de nuances interessantes. A interpretação do protagonista, a valorização das cenas através dos movimentos lentos da câmera e a atenção aos detalhes ajudam na construção do personagem e mostram a delicadeza de suas questões em meio a essa luta para se sentir aceito e não saber como agir para conseguir isso e nem entender a realidade, seja ela cruel e hipócrita ou ingênua e esperançosa.

MINHA VIDA EM COR-DE-ROSA

Título Original: Ma Vie en Rose
País de Origem: Bélgica/França/Inglaterra
Ano: 1997
Duração: 110min
Diretor: Alain Berliner
Elenco: Michele Laroque, Georges Du Fresne e Jean-Philippe

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Mangá crossdresser


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sábado, 18 de junho de 2016

Mangá: Bokura no Hentai

Manga-ká: Fumiko Fumi

Boa tarde!!!

E hoje pra feixar o final de semana trago mais uma resenha e desta vez tratasse de um mangá seinen com temática LGBTT. 

A algum tempo atrás eu relatei aqui o mangá "Hourou Musuko", o qual pelo que eu me lembro mais se assemelha ao estilo deste que voz trago hoje...

Espero que gostem.
Resenha



Três meninos que se vestem de meninas se encontram após marcarem através de um site/comunidade de praticantes de crossdresser (crossdresser são homens que se vestem de mulher e que não são necessariamente homossexuais). Por mais que os três têm em comum o fato de se vestir de garotas, cada um tem seus motivos para faze-lo.

Parou começou a se vestir de garota no ensino médio para atrair o seu senpai por quem ele é apaixonado. Marika é uma menina transexual e Yui começou se vestir de garota após a morte da sua irmã para tentar aliviar a dor de sua mãe. 

Neste primeiro encontro as coisas não saem como os três planejava ou esperavam já que Yui não entende o porque dos outros dois garotos fazerem tal coisa e acaba sendo rude. Porém o destino destes três indiretamente parece ter se cruzado e ai começamos a nos aprofundar nas histórias de vida de cada um, no passado aterrador do jovem Tamura Osamu (Parou), nos conflitos vividos pelo Aoki Yuuta (Marika), que se apaixonou a primeira vista pela Parou e é claro nas dores de Yui (Ryousuke Kijima) que tem que fingir ser outra pessoa para sua própria mãe.

Acompanhamos o amadurecer de cada um deles, a superação de traumas e as decisões que mudarão pra sempre os seus futuros. 

Personagens

Yuuta Aoki a "Marika"

Uma doce e inocente garotinha transexual, Yuuta nunca se sentiu um garoto e isso muitas vezes é claro o fez passar por muitos conflitos internos. Conhecer Tamura e Yui talvez tenha sido muito mais importante pra ele ao menos no primeiro momento.  Aoki tem uma aparência e gestos mais delicados o que o faz sempre passar despercebido quando está de Marika.



Osamu Tamura a "Parou"


Como dito acima Tamura começou a se vestir de garota para conquistar o seu colega de escola Shibuya o qual impós que ele se travestisse para poder ter algo com ele. Parou muitas vezes passa a impressão de ser uma pessoa fria, calculista nos fazendo até mesmo odiá-lo. Porém quando descobrimos seu passado percebemos que ele é apenas uma vítima.



Ryousuke Kijima a "Yui"

Tanto ele quanto sua mãe ainda são assombrados pela morte de sua irmã mais velha. Para aliviar o sofrimento de sua mãe ele passa a se vestir de garota e isso o faz sofrer muitos conflitos internos. No inicio temos a impressão de que ele será um antagonista mas logo as coisas mudam...



Satoshi Natsume "Tomochi"

Um garoto da escola de Marika que também se veste de garota... Ele é sempre muito animado e assim que descobre que Aoki se veste de garota, trata de aborda-lo e saber mais dele. Satoshi acaba se apaixonando por Marika e acaba por entrar para o clube de culinária que Marika e Akane participam. 





Akane Gotou

Melhor amiga de Aoki/Marika, Akane é uma destas garotas cheia de energia... Faz tudo pra proteger Aoki.







Mai Asakawa

Uma garota que tem um certo trauma de homens ou melhor decepção, já que seu pai abandou sua mãe. Ela acaba por se interessar por Aoki e mesmo após descobrir que ele "quer" ser uma menina, mantém este sentimento cada vez mais forte.





Informações Mangá

Publicado na revista Comic Ryu (Tokuma Shoten) de 2012 a 2015, Bokura no Hentai tem o total de 10 volumes com 41 capítulos.

Comentário

Eu sinceramente amo mangás com temas de sexualidade (o que eu acho que vocês já devem ter percebido), amo mangás que explorem todo e qualquer sentimento, condição e emoções humanas. 

O que mais gostei em Bakura no Hentai foi o fato dele abordar três histórias de vida de três personagens completamente diferente. Por mais que a personagem mais explorada seja a Marika, todos são protagonistas e muito bem explorados. O desenrolar da história é rápido ou seja não tem enrolação.

Um dos únicos pontos negativos pra mim é o fato de eu desejar um vamos dizer, que final mais preciso... Queria mais, saber mesmo o futuro de todos e etc... Mas isso é coisa de leitor que esta amando a leitura, ele sempre quer mais rs...

Bom super recomendo mais este mangá com temática LGBTT e espero que gostem, pois eu amei rs...

Dica

Bokura no Hentai pode ser baixado completinho no scanlator Lia Traps.







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