quinta-feira, 24 de maio de 2018
como transformar uma camisa masculina em vestido
Oi gente, aqui vai uma dica muito útil para nós crossdresser.
Muitas possuem problemas em ter variedades de peças femininas no guarda-roupa, por vários motivos que toda já conhecem, como privacidade, etc.
Então veja uma dica de como transformar uma camisa masculina em vestido, saia e blusa feminina. Assim como a dica de como fazer uma saia drapeada, essa é ótima para quem precisa improvisar as vezes. Além de criativo, os modelos são cheios de estilo.
E o melhor, a transformação é super rápida, nem precisar cortar ou costurar! Veja como se faz:
Então veja uma dica de como transformar uma camisa masculina em vestido, saia e blusa feminina. Assim como a dica de como fazer uma saia drapeada, essa é ótima para quem precisa improvisar as vezes. Além de criativo, os modelos são cheios de estilo.
E o melhor, a transformação é super rápida, nem precisar cortar ou costurar! Veja como se faz:
Veja como transformar camiseta em vestido:
1 - Pegue uma camiseta grande (tamanho GG) e recorte a gola;
2 - Vista a camiseta passando os braços pela gola, deixando as mangas por baixo dos braços;
3 - Dê um nó nas mangas da camiseta a frente do seu corpo;
4 - Faça um laço com as mangas;
5 - Abaixo do laço puxe as laterais da camiseta para frente do corpo;
6 - O resultado será um visual de vestido drepeado;
7 - Pegue uma faixa para amarrar na cintura;
8 - Dê duas ou três voltas com a faixa na cintura;
9 - Dê um laço na faixa na lateral do corpo;
10 - Resultado é um lindo vestido drapeado utilizando uma simples camiseta.
1 - Pegue uma camiseta grande (tamanho GG) e recorte a gola;
2 - Vista a camiseta passando os braços pela gola, deixando as mangas por baixo dos braços;
3 - Dê um nó nas mangas da camiseta a frente do seu corpo;
4 - Faça um laço com as mangas;
5 - Abaixo do laço puxe as laterais da camiseta para frente do corpo;
6 - O resultado será um visual de vestido drepeado;
7 - Pegue uma faixa para amarrar na cintura;
8 - Dê duas ou três voltas com a faixa na cintura;
9 - Dê um laço na faixa na lateral do corpo;
10 - Resultado é um lindo vestido drapeado utilizando uma simples camiseta.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
A arte de ser “cross-dressing” é voltada aos mais diferentes gêneros.

O personagem da novela da Globo “Império” surpreende na trama ao refere-se sobre a sexualidade da Xana personagem de Aílton Graça, que, revelando que não é gay nem travesti. Na verdade ele é um crossdresser, um homem que gosta de se vestir de mulher e gosta de mulher, Lorraine (Dani Barros) resolve perguntar se ele não gosta de homem, e Xana dispara: “Já me viu com algum bofe, por acaso?”. Ela responde que não e ele pergunta com quem dorme todas as noites. Animada, Naná (Viviane Araújo) responde: “A coxuda aqui, é claro!”. A morena então fica logo chocada e percebe o que realmente acontece: “Tá me dizendo que vocês… (esfrega os indicadores)”. Xana então responde: “Tou dizendo que as aparências enganam!”. Depois, Lorraine pergunta o motivo dele se vestir de mulher, “Tem a ver com satisfação interior, uma necessidade de se vestir de mulher, sem desejar uma troca de gênero… Se você reparar, me refiro a mim mesmo no masculino. Você já me viu pedir pra criançada me chamar de tia Xana? Não! É tio Xana. Mas esquece isso, vai dar um nó na tua cabecinha…”, revela o cabeleireiro, este personagem da novela veem mostra que a existência real dessas pessoas estão no cotidiano nosso dia a dia e cada dia que se passa eles se tornam mais presente e mais reais.
Há muitos anos que os homens veem se vestindo de mulher seja na vida real, ficção que veem sendo representando em filmes, desenhos animados, novelas seriados, cosplay, onde personagens de sexo masculino se travistam para se livrar de alguma situação embaraçosa ou até mesmo conseguir alguma coisa com sedução feminina e também forma de expressão teatral, um grande exemplo da inserção do crossdresser esta nos desenhos animados como em dois grandes personagens adorado pela criançada por diverti com situações engraçadas e divertidas: Pica Pau – Woody Woodpecker 1951 se veste de mulher claramente parodiando a atriz Rita Hayworth para conseguir entrar de graça (mulheres acompanhadas não pagavam) na festa em que Leôncio é o anfitrião.

Já o personagem Pernalonga Looney Tunes com varias personificação feminina, vejam um pequeno resumo de algumas das suas aparições vestida de mulher para seduzir os outros personagens e conseguir sempre o que deseja.
Sendo uma cultura mundial a arte do cross-dressing vem crescendo aqui no Brasil essa tendência fantasia ou fetiche começa a ganhar muita força saindo do clubinhos fechado para viver na real os chamamos de crossdresser ou com termo popular CD, ele é voltada aos mais diferentes gêneros, sua difusão é cada vez maior vem conquistando à diversos adeptos, sobretudo na Internet, em sua maioria formados por pessoas de todas as classe de homens, objetivo central é de representar do modo mais verossímil a figura do sexo oposto, para tal, diversos objetos poderão ser utilizados: (Vestuários Feminino) vestidos, passando por batons e gloss ainda sobre o fetiche, ele poderá ser praticado tanto por homens como por mulheres não representa nenhuma conotação quanto à opção sexual do praticante.

O que é Crossdresser?
Para entender melhor essa pratica do crossdresser,o homem sendo uma pessoa comum, como outra qualquer, os termos crossdresser, travesti ou “transgênero” são usados para descrever um homem que regularmente assume a aparência do gênero feminino a fim de satisfazer uma profunda necessidade pessoal que pode estar ligada aos mais variados tipos de motivação. Usamos o termo “crossdresser”, ou simplesmente CD, para designar homens que se travesti de mulher, mas que não permanecem montados 24h por dia e sendo reconhecido com a expressão de “sapo” quanto estão com sua forma masculina, tampouco exercem atividades remuneradas na indústria do sexo, sendo provenientes de todas as raças e classes socioeconômicas existentes na sociedade desde solteiros a casados, patrões a empregados, doutores a analfabetos, ricos a pobres, pretos a brancos, jovens a velhos, hetero, bi ou homosexuais – todos os tipos de pessoas, indistintamente, podendo se revelar seu desejos, até o momento, não existe nenhuma resposta definitiva a respeito do que leva uma pessoa, nascida do sexo masculino/macho, a desenvolver essa necessidade de se vestir ou de se comportar socialmente como mulher/fêmea. O que se sabe é que o não atendimento de tal necessidade acarreta estados de intensa angústia e ansiedade no crossdresser, a orientação sexual e seu órgão genital de uma pessoa é algo completamente distinto da sua identidade de gênero. A diversidade da orientação sexual humana existe entre os crossdressers nas mesmas proporções em que existe na sociedade em geral.
De fato, como provêm de todas as camadas da população, o provavelmente será um indivíduo com orientação heterossexual, casado e com filhos. Mas isso evidentemente não exclui a existência de crossdresser sejam homossexuais, bissexuais ou assexuais, a hipótese que é atualmente mais aceita explica o fenômeno do crossdressing/travestismo como resultado de uma combinação de inúmeros fatores socioculturais com a herança genética individual de cada um, dentre os fatores socioculturais, os estudos incluem itens como modo de criação, expectativa dos pais, educação recebida, percepção individual dos padrões de gênero, etc. Na herança genética individual, os estudos já contemplaram itens que vão desde a carga genética em si (existiria um gen “transgênero”?) até uma acentuada descarga de hormônios femininos no feto masculino, ainda no útero da mãe. Contudo nenhum desses estudos aponta para uma conclusão irrecorrível quanto às verdadeiras causas do fenômeno, em termos concretos, o travestismo é simplesmente a expressão de uma identidade de gênero feminina através do vestuário, assumida e praticada por uma pessoa de sexo masculino(travestismo refere-se basicamente a homens que se vestem de mulher, uma vez que, nos dias atuais, a sociedade não opõe nenhuma resistência significativa a que uma mulher se vista como homem), de acordo com a lógica social, que está longe de ser a lógica da natureza ou a lógica de cada indivíduo, um macho deve enquadrar-se naturalmente no gênero masculino. Sendo que o crossdresser representa tanto uma contradição quanto uma afronta aos padrões de comportamento esperados de um indivíduo macho pela sociedade, mas sua identidade de gênero sempre será percebida pelo próprio crossdresser, o travestismo não pode ser considerado ao menos o menos autêntico ou verdadeiro do que a masculinidade ou feminilidade expressa por qualquer macho ou fêmea perfeitamente identificado com o gênero que a sociedade lhe atribuiu, para que ninguém imagine tratar-se de mais que um modismo da Internet, é necessário lembrar que o crossdresser é uma das mais antigas manifestações da humanidade, havendo registros da sua existência em praticamente todas as culturas de todas as épocas e em todos os lugares ao redor do planeta. Sempre houve crossdresser em toda a história da civilização. Inclusive, em virtude das suas características dúbias, tão únicas e especiais. A predisposição cultural de uma dada sociedade em relação ao crossdresser é que determinará se esse fenômeno vai ser ou não “um problema” para aquela cultura.

Exemplo histórico secular do Crosssdresser são as primeiras gueixas, que eram na verdade simplismente homens, pode até parecer bizarro, mas foram eles que deram origem às famosas gueixas. As gueixas do sexo masculino eram conhecidos como Taikomicho ou Houkan e foram muito populares no período feudal, onde sua principal função era entreter o Daimyo, Eles surgiram por volta do século 13, o que significa que foi bem antes das Onna Geisha (gueixas femininas), que surgiram bem mais tarde, em 1750 (século 18), assim como as gueixas, o Taikomochi ou Hokan eram artistas, com a função era entreter os senhores feudais,Houkan era o nome formal e taikomochi era considerado o nome informal, que literalmente significa “Tocador de tambor”. Nem todos tocavam tambor japonês (taiko), mas assim mesmo o nome acabou se popularizando dessa forma, as apresentações do Taikomochi eram focadas principalmente na dança, mas com o passar do tempo, eles passaram a divertir os senhores feudais através de outras maneiras como participações em cerimônias do chá, como conselheiros ou como contadores de histórias engraçadas para, o Taikomochi tinha mil e uma utilidades, se o senhor feudal (daimyo) queria se divertir, ele chamava o Taikomochi. Se necessário de alguém para lutar no campo de batalha, ele chamava o Taikomochi. Precisava-se de entretenimento, conselhos de amor ou de guerra, ele chamava o Taikomochi, com o declínio e não tendo mais tanta importância alguns deles tiveram que trabalhar em bordeis como Oiran, um tipo de Yujo, que significa “mulher do prazer” ou “prostituta”, no caso deles, o nome correto seria “garotos de programa”. No entanto, eles se distinguem de Yujo por serem artistas e por entenderem sobre arte e moda eram vistos distintamente, eles ofereciam muito mais do que simplesmente sexo para seus clientes. Alguns deles eram inclusive poetas de renome e até mesmo calígrafos. Eles usavam suas habilidades de dança, canto e música para entreter seus clientes.

Eitaro é o primeiro homem a trabalhar no papel de gueixa feminina. Sua mãe era gueixa e ele e a irmã resolveram continuar com a tradição na família, após a matriarca morrer de câncer em 2009. Grande dançarino, Eitaro começou a aprender os passos de dança femininos aos oito anos de idade. Com apenas 11, ele já tinha se apresentado no Teatro Nacional, na capital Tóquio. Com a morte da mãe, ele é a gueixa-mestre de uma casa com outras seis dançarinas. Sua missão é repopularizar a cultura das gueixas.
A maioria dos crossdressers descobre sua necessidade de se travestir quando ainda são crianças. Mesmo sem fazer a menor idéia do “por que fazem o que fazem” ou do “por que sentem o que sentem ao fazê-lo”, descobrem rapidamente que expressar este lado da sua natureza pode lhes acarretar complicações e duras repreensões por parte dos pais, da família e dos amigos – gente que eles amam e valorizam acima de tudo. Em virtude da repulsa que sofrem pelo seu ato vergonhoso, todo crossdresser desenvolve ainda muito cedo sentimentos extremamente de culpa ou autopunição, além de passarem sistematicamente a ocultar de todas as outras pessoas toda e qualquer manifestação do seu travestismo que assim se torna uma atividade essencialmente solitária para muito que não tem a coragem de assumir esse desejo, é bastante comum que muitos crossdressers façam todo o possível para negar, reprimir e eliminar este aspecto singular da sua personalidade visto de forma tão repulsiva e vexatória pelas outras pessoas.

O problema é que “ser crossdresser” não é algo que possa ser “sumariamente cortado” da vida física e psíquica uma pessoa. A continua negação e auto repressão de um aspecto tão fundamental da personalidade podendo resultar em severos distúrbios mentais, com danos irreparáveis para a saúde emocional de um crossdresser, a vergonha o medo e a solidão de um crossdresser acham sua expressão mais aguda e torturante em pensamentos como: – “será que meus melhores amigos, meus colegas de trabalho, minha família, meus pais, minha espoca/namorada/companheira ou meus filhos ainda iriam gostar de mim, me amar e me respeitar se eles soubessem desse meu lado? Será que iriam me rejeitar, me desprezar e me excluir do seu convívio?

Muitos crossdressers acabam não suportando ter que viver desse jeito e se abrem para os seus entes queridos mais próximos. Muitos fazem isso sem nenhuma preparação, em clima de quase desespero. Muitos se preparam longamente, aprendendo tudo que podem a respeito dessa sua condição antes de se abrirem e se revelarem para as pessoas mais próximas e queridas, embora possa ocorrer alguma rejeição, na maioria das vezes os crossdressers são surpreendidos por uma carinhosa receptividade por parte dos seus cônjuges, familiares e amigos a quem se revelam. Graças a essa grata compreensão e aceitação por parte das pessoas que amam, conseguem obter uma melhoria substancial nos seus próprios níveis de autoestima e auto aceitação. E possível que uma pessoa ser crossdresser e se sentir plena, completa, feliz e equilibrada! O que você faria se, ao chegar a sua casa encontrasse seu marido usando saia, lingerie, sapatos de salto alto, bijuterias e maquiagem? Se nunca pensou nisso, talvez seja o momento de avaliar a possibilidade. Há anos homens trocam os ternos e as gravatas por vestidos de seda e sandálias de tirinhas e mesmo assim continuam casados com suas mulheres, felizes com sua condição masculina. Em muitos casos, elas nem sonham que isso acontece. cross-dressers um título em inglês que procura distinguir os adeptos desta prática dos travestis que se prostituem. “Além disso, os travestis vivem o dia a dia como mulher, enquanto os crossdressers, como homens”, explica a psicóloga Eliane Chermann Kogut, que defendeu tese de doutorado sobre o assunto, para quem quiser conhecer melhor a tese da doutora Kogut vai o link abaixo:
Ditadura de gênero

Inconformismo com a ditadura de gênero. “As mulheres usam roupas masculinas desde o início do século passado, por que o contrário não pode acontecer?”, para a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Universidade de São Paulo, tudo que foge do padrão causa estranheza e desconcerta as pessoas. “O preconceito se deve muito à falta de conhecimento e às tradições e conceitos, sem nenhuma base, de que este comportamento está ligado à sexualidade. Na nossa cultura ficou convencionado que a mulher é quem deve se arrumar, mas em muitas tribos indígenas quem se enfeita é o homem e ninguém questiona.” Eliane explica que os cross-dressers não têm dúvidas sobre seu gênero e não querem mudar de sexo. “Pode até acontecer de um cross-dresser ser gay, mas não é comum. Tanto que não encontrei homossexuais na minha pesquisa, apenas héteros e bissexuais.” Essa necessidade que incomoda a sociedade conservadora, tradicional e preconceituosa pode ser motivo de muito sofrimento e angústia quando não consegue ser partilhada e exposta. “Acreditamos que as pessoas possam ter propensão a ser crossdressers e que o desejo se manifeste em momentos de grande angústia. Também existem as hipóteses dos cross-dressers terem tido pais muito severos ou omissos e que eles não queriam como modelo. No imaginário destes homens a imagem da mulher funciona como conforto”, diz Kogut.
Se quiser deixe seu comentário sobre a matéria se tiver uma dúvida específica sobre o mundo trans, aqui é um bom lugar para buscar informação. Me escreva!
Um beijo,
Lindsay Lohanne
Não sou apenas uma Boneca, sou o diferencial entre as que existem.
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
A história do homem que só consegue usar roupas femininas
Essa é a história de Marcelo de Oliveira, uma história emocionante e cheia de sofrimento.
Foi transcrita exatamente como ela é sem alterar dado algum. confira na íntegra:
“Mataram meu pai quando eu tinha nove anos. Eu era o caçula de seis filhos, o único homem. Minha mãe, sem dinheiro nenhum, passou a me vestir com a roupa das minhas irmãs.”
“Você é gay?”
“Não, sempre adorei mulher. Tenho dois filhos, fui casado duas vezes, tenho namorada. Já fiz tratamento com psiquiatra, mas não adianta: se me visto como homem, me deprimo demais.”
“Já tentou usar roupas de homem?”
“Quando eu tinha 13 anos, minha mãe se casou de novo e pôde me comprar roupas masculinas. Eu chorava muito, nem comia. Pegava calcinha, sutiã, vestido das minhas irmãs, levava tudo para o mato e vestia escondido. Apanhei muito da mãe por isso.”
“O preconceito é grande?”
“Quase morri uma vez. Me quebraram duas pernas, um braço, quatro costelas e o osso do queixo. O povo me xinga de bicha, de travesti, de tudo que é coisa. Quando chego em casa, me dá uma tristeza… Eu nem saio à noite, não vou a bar nenhum.”
“Você faz o quê?”
“Sou tratorista, trabalho na terra. Uso calça e camisa no serviço, mas por baixo visto calcinha e sutiã. Sou feliz usando roupa de mulher, mas seria muito melhor se me aceitassem.”
“Preciso perguntar sobre a Copa…”
“Não gosto de jogar bola, não gosto de time nenhum, nunca gostei de futebol. Mas Copa do Mundo é diferente: vou torcer porque, para o meu país, eu torço sempre.”
Marcelo de Oliveira, em Sabino (SP)
**Entrevista que realizei há exatos dois anos – e que o Facebook me lembrou hoje – durante o projeto Na Beira da Copa. Nossa expedição cruzou o país para mostrar como o Brasil distante das cidades-sede se preparava para o Mundial. A cada resposta do Marcelo, meu peito se comprimia. Não há repórter blindado a isso.
Foto: Lauro Alves
Fonte: Na Beira da Copa
Foi transcrita exatamente como ela é sem alterar dado algum. confira na íntegra:
“Mataram meu pai quando eu tinha nove anos. Eu era o caçula de seis filhos, o único homem. Minha mãe, sem dinheiro nenhum, passou a me vestir com a roupa das minhas irmãs.”
“Você é gay?”
“Não, sempre adorei mulher. Tenho dois filhos, fui casado duas vezes, tenho namorada. Já fiz tratamento com psiquiatra, mas não adianta: se me visto como homem, me deprimo demais.”
“Já tentou usar roupas de homem?”
“Quando eu tinha 13 anos, minha mãe se casou de novo e pôde me comprar roupas masculinas. Eu chorava muito, nem comia. Pegava calcinha, sutiã, vestido das minhas irmãs, levava tudo para o mato e vestia escondido. Apanhei muito da mãe por isso.”
“O preconceito é grande?”
“Quase morri uma vez. Me quebraram duas pernas, um braço, quatro costelas e o osso do queixo. O povo me xinga de bicha, de travesti, de tudo que é coisa. Quando chego em casa, me dá uma tristeza… Eu nem saio à noite, não vou a bar nenhum.”
“Você faz o quê?”
“Sou tratorista, trabalho na terra. Uso calça e camisa no serviço, mas por baixo visto calcinha e sutiã. Sou feliz usando roupa de mulher, mas seria muito melhor se me aceitassem.”
“Preciso perguntar sobre a Copa…”
“Não gosto de jogar bola, não gosto de time nenhum, nunca gostei de futebol. Mas Copa do Mundo é diferente: vou torcer porque, para o meu país, eu torço sempre.”
Marcelo de Oliveira, em Sabino (SP)
**Entrevista que realizei há exatos dois anos – e que o Facebook me lembrou hoje – durante o projeto Na Beira da Copa. Nossa expedição cruzou o país para mostrar como o Brasil distante das cidades-sede se preparava para o Mundial. A cada resposta do Marcelo, meu peito se comprimia. Não há repórter blindado a isso.
Foto: Lauro Alves
Fonte: Na Beira da Copa
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Outro nome para outro sexo
A troca de nome pode ser a última etapa de uma longa jornada.
Você já ouviu falar em “transgênero”? E “crossdressing”? Ou talvez a primeira palavra remeta a algum tipo de pesquisa genética e a segunda a uma nova modalidade de carteira de investimento. Será?
O fato é que transgênero é uma palavra pouco conhecida, falada ou discutida. Mas nem tão difícil de decifrar. Gênero, sabemos, refere-se a duas polaridades: masculino e feminino. O “trans” na frente significa transição ou algo como “além de”, “através de”. Você pensou em travesti. Sim, o travesti é um dos grupos entre os muitos que a palavra transgênero engloba. Mas não só.
O crossdressing denomina a prática de outro grupo também pertencente ao que se pode chamar de transgênero. Esse grupo de pessoas se veste com roupas do sexo oposto, independentemente da orientação sexual seguir ou não essa tendência. Ou seja, numa definição simplista, podemos dizer: um homem – pode ser hetero ou homossexual – que se veste de mulher com frequência, e que faz disso um prazer e/ou um hábito, é um crossdresser.
E isso não é ser travesti? Não necessariamente.
Deu nó? Calma!
Pode-se afirmar que, atualmente, no Brasil, um crossdresser é pessoa bem informada, provavelmente de classe média ou alta, que se dá o direito de realizar essa transição entre gêneros. Quem já se transformou em ícone dessa espécie de movimento é o festejado cartunista Laerte Coutinho, autor de tirinhas como a “Piratas do Tietê” e com profícua trajetória artística. De uns tempos para cá, aos poucos, foi aparecendo publicamente trajando roupas e acessórios femininos. Hoje em dia e aos 60 anos, Laerte assumiu integralmente a sua condição de homem com identidade de gênero feminina. Nas entrevistas que concede à imprensa, ele afirma considerar que sua nova escolha se relaciona a um processo “autoexploratório”, de autoconhecimento, que pode também estar vinculada à dor de ter perdido um de seus filhos em um acidente de carro; momento em que – ele diz – “caíram todos os véus”.
Laerte ainda está “em processo”, mas ao apresentar-se socialmente como mulher, ao declarar que está se deparando com sua bissexualidade e aceitando-a, ou seja, ao tornar-se um crossdresser, ele se aproximou do universo de uma minoria bastante estigmatizada, e sem o mesmo poder de argumentação, articulação e atitude dos crossdressers: os travestis. Estes, em sua maioria, trazem na história de suas vidas episódios de abandono, violência, rejeição e prostituição.
Quando o tabu da virgindade era fortemente enraizado na sociedade brasileira – o que ainda é possível de se constatar nos rincões por esse Brasil afora –, uma menina que era “deflorada” fora do casamento ficava marcada para sempre. Era enviada a um parente distante, a um convento – passando-se por virgem – ou, destino tão cruel quanto os demais, era expulsa de casa. Muitas se tornavam prostitutas. Parece medieval, não? Pois é mais ou menos isso o que ainda acontece aos travestis. Em muitos casos, a inadequação sexual é marcada fisicamente por atrofia nos órgãos genitais. Pouca informação e muito preconceito cravam o destino dessas pessoas ainda na pré-adolescência.
Não é preciso, entretanto, se vestir com roupas do sexo oposto para tentar imaginar as demandas dessa minoria. Em 2008, a portaria nº 1.707 do Ministério da Saúde atendeu a uma dessas demandas ao instituir a realização do processo transexualizador, também conhecido como cirurgia de adequação do sexo ou redesignação sexual, no SUS – Sistema Único de Saúde. A cirurgia é como uma etapa final de um longo processo que envolve questões psicológicas e psicossociais, avaliadas e acompanhadas por psicólogos.
Aos que optam pela cirurgia e desejam a completude na identidade de gênero, ainda há outra etapa a concluir, também nada fácil: o processo legal para mudança do nome e do gênero nos documentos. Ora, uma vez que se tenha mudado de sexo, o nome – masculino ou feminino – já não corresponde à real personalidade de quem o carrega. Em respeito à sua identidade e a terceiros, a modificação de nome é um direito e um dever.
No Brasil, o caso que ganhou a mídia foi o da modelo Roberta Close. Operada em 1989, na Inglaterra, foram necessários 15 anos para que tivesse o direito à mudança de nome, de Luís Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira, e que pudesse colocar “feminino” no item “sexo”.
No Rio Grande do Sul, estado que se mantém na vanguarda quanto às questões de direitos de cidadania das minorias, recentemente, foi instituída a “carteira de nome social”, por meio da Secretaria de Segurança Pública, com o objetivo de garantir a identidade de gênero. Nela, travestis e transexuais utilizam o nome que pretendem usar após a efetivação do processo de adequação sexual. Essa carteira vale como documento nos postos de saúde e em demais serviços públicos estaduais.
Parece bonito viver em uma sociedade que se autodenomina “plural”. A construção dessa pluralidade depende do Estado, que tem o dever de resguardar os direitos e a dignidade de todos os cidadãos. Mas passa também por cada cidadão que vê, nos modos de vida e nas escolhas diferentes da sua, apenas isso: uma diferença.
Você já ouviu falar em “transgênero”? E “crossdressing”? Ou talvez a primeira palavra remeta a algum tipo de pesquisa genética e a segunda a uma nova modalidade de carteira de investimento. Será?
O fato é que transgênero é uma palavra pouco conhecida, falada ou discutida. Mas nem tão difícil de decifrar. Gênero, sabemos, refere-se a duas polaridades: masculino e feminino. O “trans” na frente significa transição ou algo como “além de”, “através de”. Você pensou em travesti. Sim, o travesti é um dos grupos entre os muitos que a palavra transgênero engloba. Mas não só.
O crossdressing denomina a prática de outro grupo também pertencente ao que se pode chamar de transgênero. Esse grupo de pessoas se veste com roupas do sexo oposto, independentemente da orientação sexual seguir ou não essa tendência. Ou seja, numa definição simplista, podemos dizer: um homem – pode ser hetero ou homossexual – que se veste de mulher com frequência, e que faz disso um prazer e/ou um hábito, é um crossdresser.
E isso não é ser travesti? Não necessariamente.
Deu nó? Calma!
Pode-se afirmar que, atualmente, no Brasil, um crossdresser é pessoa bem informada, provavelmente de classe média ou alta, que se dá o direito de realizar essa transição entre gêneros. Quem já se transformou em ícone dessa espécie de movimento é o festejado cartunista Laerte Coutinho, autor de tirinhas como a “Piratas do Tietê” e com profícua trajetória artística. De uns tempos para cá, aos poucos, foi aparecendo publicamente trajando roupas e acessórios femininos. Hoje em dia e aos 60 anos, Laerte assumiu integralmente a sua condição de homem com identidade de gênero feminina. Nas entrevistas que concede à imprensa, ele afirma considerar que sua nova escolha se relaciona a um processo “autoexploratório”, de autoconhecimento, que pode também estar vinculada à dor de ter perdido um de seus filhos em um acidente de carro; momento em que – ele diz – “caíram todos os véus”.
Laerte ainda está “em processo”, mas ao apresentar-se socialmente como mulher, ao declarar que está se deparando com sua bissexualidade e aceitando-a, ou seja, ao tornar-se um crossdresser, ele se aproximou do universo de uma minoria bastante estigmatizada, e sem o mesmo poder de argumentação, articulação e atitude dos crossdressers: os travestis. Estes, em sua maioria, trazem na história de suas vidas episódios de abandono, violência, rejeição e prostituição.
Quando o tabu da virgindade era fortemente enraizado na sociedade brasileira – o que ainda é possível de se constatar nos rincões por esse Brasil afora –, uma menina que era “deflorada” fora do casamento ficava marcada para sempre. Era enviada a um parente distante, a um convento – passando-se por virgem – ou, destino tão cruel quanto os demais, era expulsa de casa. Muitas se tornavam prostitutas. Parece medieval, não? Pois é mais ou menos isso o que ainda acontece aos travestis. Em muitos casos, a inadequação sexual é marcada fisicamente por atrofia nos órgãos genitais. Pouca informação e muito preconceito cravam o destino dessas pessoas ainda na pré-adolescência.
Não é preciso, entretanto, se vestir com roupas do sexo oposto para tentar imaginar as demandas dessa minoria. Em 2008, a portaria nº 1.707 do Ministério da Saúde atendeu a uma dessas demandas ao instituir a realização do processo transexualizador, também conhecido como cirurgia de adequação do sexo ou redesignação sexual, no SUS – Sistema Único de Saúde. A cirurgia é como uma etapa final de um longo processo que envolve questões psicológicas e psicossociais, avaliadas e acompanhadas por psicólogos.
Aos que optam pela cirurgia e desejam a completude na identidade de gênero, ainda há outra etapa a concluir, também nada fácil: o processo legal para mudança do nome e do gênero nos documentos. Ora, uma vez que se tenha mudado de sexo, o nome – masculino ou feminino – já não corresponde à real personalidade de quem o carrega. Em respeito à sua identidade e a terceiros, a modificação de nome é um direito e um dever.
No Brasil, o caso que ganhou a mídia foi o da modelo Roberta Close. Operada em 1989, na Inglaterra, foram necessários 15 anos para que tivesse o direito à mudança de nome, de Luís Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira, e que pudesse colocar “feminino” no item “sexo”.
No Rio Grande do Sul, estado que se mantém na vanguarda quanto às questões de direitos de cidadania das minorias, recentemente, foi instituída a “carteira de nome social”, por meio da Secretaria de Segurança Pública, com o objetivo de garantir a identidade de gênero. Nela, travestis e transexuais utilizam o nome que pretendem usar após a efetivação do processo de adequação sexual. Essa carteira vale como documento nos postos de saúde e em demais serviços públicos estaduais.
Parece bonito viver em uma sociedade que se autodenomina “plural”. A construção dessa pluralidade depende do Estado, que tem o dever de resguardar os direitos e a dignidade de todos os cidadãos. Mas passa também por cada cidadão que vê, nos modos de vida e nas escolhas diferentes da sua, apenas isso: uma diferença.
Postado por marcielly holmes
A lingerie é dele – crossdressing
Chamada “HommeMystere”, a marca oferece peças com rendas e seda e calcinhas tipo tanguinha. Foi criada em 2008, quando Brent e Lara Krause perceberam que havia pouquíssimas opções para homens com esse fetiche. Além disso, até então os caras tinham que comprar suas peças em lojas de mulher, mas agora eles já sabem exatamente a onde ir, além de encontrarem peças com design “feminino”, mas feito para se adaptar ao corpo masculino. Hoje a empresa já entrega em mais de 30 países, incluindo Rússia, Canada e América – que responde por 40% das vendas da marca.
Nas imagens de divulgação da marca aparece um homem ao lado de uma mulher, o que pode confundir muita gente, que assume logo de cara que um homem que compra lingerie feminina é gay. Errado. Um questionário aplicado aos clientes da HommeMystere revelou que 90% dos clientes estavam em uma relação heterossexual. “Não nos importamos se você é gay, hétero, vegetariano, republicano, anglicano, marciano ou qualquer tipo de convicção. Nós só queremos desenhar e fabricar lingeries atrativas e de luxo para homens”, explicou Mr. Krause.
Ele, aliás, é um adepto da prática e conta em seu blog sobre a culpa que muitos homens sentem por terem escolhido usar lingerie, e espera que sua empresa continue lutando contra estereótipos sobre o que os homens podem ou não podem usar.
Pode parecer confuso, e é um pouco mesmo, mas crossdressing é diferente de transexualidade e drag queens. Segundo um material sobre identidade de gênero elaborado por Jaqueline Gomes de Jesus, doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília, enquanto a transexualidade é uma questão de identidade – o transexual se identifica como do sexo oposto ao dele – o crossdresser sente-se como pertencente ao gênero que lhes foi atribuído ao nascimento, mas frequentemente se veste, usa acessórios ou se maquia de maneira diferente daquela socialmente estabelecida para o seu gênero, sem se identificar como travesti ou transexual. Já os transformistas ou drag queens são artistas que se vestem, de maneira estereotipada, conforme o gênero masculino ou feminino, para fins artísticos, apresentações etc. Nenhuma dessas definições, no entanto, define orientação sexual. Nem toda mulher transexual vai se relacionar sexualmente com homens, nem todo crossdresser é gay (a maioria dos crossdressers, aliás, é homem hétero) e assim por diante.
Via: http://juliapetit.com.br/moda/aumenta-busca-de-lingeries-masculinas-pratica-e-conhecida-como-cross-dressing
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
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